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ACADÊMICO CORRESPONDENTE  
               CADEIRA 119

Pedro Feitosa 

    Sou filho de uma jovem índia, nasci na aldeia Kaiapó às margens do Rio Xingu no Pará onde conheci Horace Banner um inglês que veio de longe com sua esposa, Eva Banner, onde, pela primeira vez eles ouviram na língua dos nativos essa mensagem: "Mababam me cunin cumiquim, cra pudi me mo kuogo, me cunim cuté kramare bignoro ket aretintu tuk kadju!" Evangelho de Joao cap. 3,16. Aprendi a ler com dez anos de idade. Fiquei fascinado, o mundo se abriu, eu voava como um pássaro que escapou da gaiola! As primeiras letras, a pedido de minha mãe à sua vizinha, foram as do Salmo 23! Tive a oportunidade, aos 15 anos, de acompanhar o casal durante quase dois anos. Em 69, subimos o grande Rio Xingú, durante sete dias chegamos a primeira aldeia chamada Gorotire. Eles viviam nús e foram pacificados pela Funai. Foi uma experiência enriquecedora. Horace Banner traduziu o Novo Testamento e outros livros mais, como Long Climb on de Xingú, The Three Fredes, Among the Xingú Indians, etc. Ao sair de casa. Levava comigo o Diploma de Conclusão do Primário! Lá, na pacata Altamira quem tivesse esse diploma “tava formado”. Na cidade grande fiz todos trabalhos possíveis e imagináveis . O Exército Brasileiro me chamou e passados dois anos voltei aos bancos escolares, após o temível exame de “Admissão”, fiz o ginásio e enfrentei o “O Cientifico. Ano seguinte, fiz vestibular para Medicina. Não passei e bati à porta da Faculdade de Odontologia, conquistando o décimo lugar. Tornei-me o primeiro dentista índio do Brasil! Acadêmico Correspondente ALPAS 21, cadeira 119, tendo como paraninfo meu filho Samuel Feitosa e patrono Horace Banner, inglês, que levou o evangelho aos índios pacificados pela FUNAI no Xingu.

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